Especialista recomenda florestas plantadas para pequenos produtores

A silvicultura – o plantio de florestas – pode ser uma chave nos sistemas de adequação e regularização ambiental, em consonância com as determinações do Novo Código Florestal Brasileiro, e, ainda, uma atividade rentável para pequenos produtores brasileiros que hoje praticam uma pecuária não tecnificada e deficitária em remuneração. Exemplos de sucesso experimentados em diversas regiões do país, do consórcio entre árvores nativas e eucalipto, foram apresentados na última quinta-feira (18) durante o seminário “O Código Florestal em Debate”, promovido pela Frente Parlamentar Ambientalista da Assembleia Legislativa da Bahia, em Salvador. O seminário trouxe para Salvador o doutor em Biologia Vegetal pela Unicamp e professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), Ricardo Ribeiro Rodrigues.

A Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF) marcou presença entre o público, com diretor-executivo Wilson Andrade, e representantes de empresas associadas, como BSC, Ferbasa e Fibria. Na plateia estavam ambientalistas e líderes classistas, tanto de agricultores familiares, quanto de empresariais. O Ministério Público da Bahia foi representado pela promotora de Justiça Luciana Khoury, e os parlamentares, pelo deputado Marcelino Galo (PT), que promoveu o evento, e Leur Lomanto Jr (PMDB), que conduziu inicialmente os trabalhos. Também explanou sobre o Novo Código Florestal Brasileiro o advogado e assessor jurídico do Instituto Sócio Ambiental (ISA), Raul do Valle.

De acordo com os dados apresentados pelo professor Ricardo Rodrigues, de um total de 210 milhões de hectares nos quais se desenvolve a atividade agropecuária no Brasil, em um contexto de 850 milhões de extensão do território brasileiro, existem cerca de 145 milhões de hectares de pastos degradados e/ou subaproveitados. O restante, em torno de 65 milhões de hectares, são ocupados com lavouras. A área ocupada no Brasil com florestas plantadas é de pouco mais de seis milhões de hectares, na maioria, em áreas recuperadas de pastagens

“Enquanto a agricultura conseguiu crescer em produção, mantendo quase a mesma área nas últimas décadas, graças à aplicação de tecnologias agrícolas, a pecuária brasileira tem uma média de ocupação de menos de um animal por hectare”, explicou o professor. “Se a ocupação passasse de uma cabeça de gado para 1,5 cabeça por hectare, aproximadamente 70 milhões de hectares do território nacional seriam liberados para a produção de alimentos ou florestas, sem a necessidade de abrir novas áreas”, disse Ricardo Rodrigues, para quem o Brasil precisa de um Programa de Tecnificação da Pecuária. Somente na Bahia, existem 52 milhões de hectares de pastagens degradadas.

Bom negócio

O professor citou exemplos de experiências bem sucedidas do consórcio entre espécies de árvores nativas e eucalipto, substituindo a atividade pecuária não tecnificada para famílias de pequenos criadores. Estas experiências contaram com a participação de empresas do ramo de papel e celulose, como Fibria, Suzano e Klabin.

“Nesses exemplos, a silvicultura só de nativas, ou de nativas com eucalipto, representou uma renda de, no mínimo, cinco ou seis vezes mais do que estas famílias apuravam com a pecuária não tecnificada. Essa renda pode ser ainda maior, se considerada a agregação de valor, com tratamento, certificação, etc”, explicou. Ele demonstrou ainda que o eucalipto, de acordo com a legislação brasileira, pode ser usado temporariamente na Reserva Legal (RL).

“As florestas plantadas têm grande importância no processo de conservação das nossas florestas, pois, quanto mais elas são implantadas, menor é a pressão sobre as espécies nativas”, registrou o professor Ricardo Rodrigues.

Diálogo

Em seu pronunciamento, o diretor-executivo da ABAF, Wilson Andrade, ressaltou o esforço da Associação em participar dos diversos fóruns de discussões ambientais. Hoje, a entidade se faz representar em 26 destes. “São novos tempos e um trabalho grandioso vem sendo feito para associar definitivamente a agricultura e o meio ambiente. O setor florestal vai além do que reza a lei. Hoje, as áreas de florestas preservadas das empresas de florestas plantadas já se aproxima de 40%, sem qualquer atividade econômica nelas. Trabalhamos contra o carvão ilegal em uma grande campanha no Sul da Bahia, que, agora, se estende ao litoral Norte do estado e atuamos em outras importantes frentes, com propostas de programas de fomento à Agricultura de Baixo Carbono”, relatou Wilson Andrade. Ele defendeu também o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), com os recursos para a remuneração vindos de quem não cumpre a lei. “Quem pratica crimes ambientais tem de pagar, para garantir a recompensa para aqueles que preservam”, concluiu Wilson.

 

Painel Florestal – Assessoria