CURIOSIDADE: BATERIAS LÍQUIDAS SAEM DOS LABORATÓRIOS RUMO ÀS FÁBRICAS

Em 2009, dois pesquisadores norte-americanos apresentaram um novo conceito de baterias líquidas, que, segundo eles, poderia viabilizar a adoção das energias renováveis em larga escala. Agora, Donald Sadoway e David Bradwell preparam-se para transformar seu sonho de laboratório em realidade industrial. Eles criaram uma empresa, a Ambri, que já arrecadou fundos para transformar o experimento em protótipo, e agora já têm quase todo o dinheiro necessário para construir uma fábrica de verdade, com produção em larga escala. A Ambri pretende testar os protótipos em campo este ano e produzir baterias de tamanho real em 2016. Seu nicho de mercado será o armazenamento temporário da energia produzida por fontes renováveis, como eólica e solar, liberando a eletricidade de forma dosada 24 horas por dia. Em uma única rodada de captação de recursos, a empresa angariou U$35 milhões – outra empresa emergente fundada por pesquisadores que atraiu a atenção dos investidores está tentando fabricar uma folha artificial que produz hidrogênio com luz do Sol. Segundo o MIT, onde os pesquisadores trabalham, a grande vantagem da tecnologia de bateria líquida é a sua simplicidade. O processo usa discos de metal e um eletrólito salino em uma célula de aço inoxidável de poucos centímetros cúbicos, algo que pode ser fabricado de forma automatizada. A empresa já demonstrou isso fabricando seus protótipos usando robôs normalmente utilizados na indústria automobilística. O plano de investimentos da Ambri prevê a fabricação de 130 megawatts-hora de baterias por ano – se alcançar esse patamar, a empresa argumenta ser possível fabricar baterias líquidas a um décimo do preço de uma bateria de íons de lítio equivalente. Com baterias com custo inferior a US$ 500 por quilowatt-hora, a energia eólica ou solar pode ser armazenada de forma rentável durante a noite para ser vendida durante o dia, ou pode ajudar as concessionárias a atender a demanda nos horários de pico sem investimentos em termoelétricas. Como funcionam as baterias líquidas O princípio básico das baterias líquidas consiste em colocar três camadas de líquido no interior de um recipiente – duas ligas metálicas diferentes e uma camada de sal. Os materiais foram escolhidos de tal forma que apresentam densidades diferentes, o que os mantém separados naturalmente em três camadas distintas, com o sal no meio, separando as duas camadas de ligas metálicas fundidas. A energia é armazenada nos metais líquidos, que tendem a reagir um com o outro. Mas eles somente podem fazer isso transferindo íons – átomos eletricamente carregados de um dos metais da liga – através do eletrólito. Isso resulta em um fluxo de corrente elétrica. Quando a bateria está sendo carregada, alguns íons atravessam a camada de sal e são coletados em um dos terminais. Quando a energia da bateria está sendo utilizada esses íons migram de volta através do sal e se depositam no terminal oposto.
Fonte: Inovação Tecnológica – News Empresarial Federaminas

19/05/2014 a 25/05/2014 – Ano I – nº 3