75% dos cemitérios podem contaminar solo e água em Minas

De cada dez cemitérios municipais de Minas Gerais, pelo menos sete ignoram a legislação ambiental, à Resolução 335/2003 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que exigiu a regularização da situação até 2010. Como resultado, contaminam o solo e os lençóis freáticos e, de quebra, servem de criadouros de animais e insetos vetores de doenças.

A situação em Minas Gerais é pior em pequenas cidades do interior, onde muitos dos cemitérios estão em áreas de sumidouros e rios subterrâneos ou em terrenos inadequados, onde o lençol freático é raso. Outros se localizam em área de várzea ou em morros.

O professor Leziro Marques Silva, geólogo e doutor em engenharia e meio ambiente, explica que o necrochorume, ao escapar do túmulo, pode contaminar com metais pesados o lençol freático, poços e rios em quilômetros de distância.

“De forma geral, o cemitérios particulares seguem a legislação por visar lucro. Já nos públicos, o gerenciamento deixa a desejar. Operários sofrem acidentes, manipulam e exumam corpos sem equipamentos de proteção individual e pegam doenças”, diz Silva.

O professor enfatiza que a solução é barata e simples. Entre as medidas recomendadas está o uso de substâncias capazes de neutralizar o chorume, por meio da impermeabilização do túmulo, a realização de diagnóstico hidrogeológico da área e a construção do cemitério em local que favoreça a decomposição do cadáver.

Fonte: Edição Digital do Hoje em Dia

Por: Danilo Emerich– Do Hoje em Dia